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Pensei que o meu destino seria voltar para Portugal, afinal estava sozinha, sem amigos, família sem namorado, sem trabalho, com o dinheiro que tinha recebido tinha duas hipóteses a primeira pagava a renda e podia ficar mais dois meses e ficava com pouco dinheiro que não daria para me sustentar por muito tempo, a segunda seria comprar o bilhete para Portugal ficar em casa de um familiar e ai te
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ria algum dinheiro para dar para a comida durante algum tempo, não muito mas pelo menos a possibilidade passar dificuldades seria muito pouca. Resultado final iria ser o mesmo sem nada.
Adivinhava-se um período mesmo difícil, não tinha muito tempo para tomar decisões. Num entanto o meu coração não parava de pensar no Daniel, apesar de tudo o que já havia passado com ele, sentia muito amor por ele, lembrava-me de algumas das conversas que havíamos tido, que me havia dito que não ia a Portugal há 3 anos, por isso não via o pai há três anos. Apesar do pouco dinheiro que tinha, já tinha decidido o que ia fazer.
Logo pela manha, liguei a minha senhoria entreguei o quarto, explique a minha situação, disse-lhe que era melhor assim, não queria ficar a dever-lhe nada, ela foi muito minha amiga teria poucos dias para sair.
Depois liguei para o Daniel, pedi-lhe que nos encontrássemos num parque que eu gosto muito de ir. Quando nos encontramos disse-lhe que ia embora, que tinha pensado em lhe oferecer os bilhetes para ele ir ver o pai que na via há 3 anos e perguntei-lhe se aceitava, aceitou e fomos juntos de autocarro de volta para casa uma vez que ele não morava muito longe de mim. Quando chegamos na despedida foi inevitável, inconscientemente demos as mãos há saída do autocarro, pedi desculpa, ainda não me havia conformado com a nossa separação e afinal ainda o amava, ele riu-se puxou-me e beijamo-nos. Depois ofereceu-se para me deixar a porta de casa. Quando chegamos despedimo-nos cada um foi para sua casa.
Estava tudo confuso não sabia o que ia acontecer depois. Acabamos por marcar as passagens para iremos os dois juntos para Portugal, pediu-me que fosse com ele, aceitei. Antes de ir havíamos combinado que íamos juntos mas que ele depois regressaria ao estrangeiro e eu ficaria.
Comecei a preparar a minha chegada a Portugal, para isso teria de arranjar trabalho imediatamente. Fui num cibercafé comecei a pesquisar trabalho e depressa arranjei uma entrevista para o dia a seguir há minha chegada.
Os dias passaram a correr, depressa chegou o dia da Partida, estava extremamente ansiosa.
Finalmente solo Português, a única coisa que me deixava triste era continuar longe do meu filho, mas a possibilidade de poder ir mais vezes ter com o meu filho era maior, afinal não seria assim tão dispendioso quanto isso.
Dia seguinte fui há entrevista e fiquei com o trabalho, ia ganhar a comissão num cabeleireiro não era mau de todo, era melhor que nada para começar.
Estava contente, trabalho novo, cheirinho a Portugal o eco era diferente, estava perto do mar que tanto amo, amo o cheiro, a cor, a vista, a sua imensidão, a sua bravura, amo tudo o que me faz sentir quando olho para ele, a energia que me dá, sinto-me feliz quando inspiro o cheirinho e sinto a brisa no meu rosto, hummmmmmm nem consigo descrever tudo o que o mar me dá e transmite é magico e pronto.
Estava tudo a correr bem, mas depressa a minha vida se tornou num inferno.
Um dia cheguei a casa e a mãe do Daniel ameaçou-me que ia contar ao Daniel que eu tinha dormido com o António quando estive cem Portugal pelo Natal, mas ela havida dito que foi o meu filho que lhe tinha dito, que ela tinha ligado para o António, que ele nem desmentiu nem confirmou, que lhe perguntou se ela tinha falado comigo, aparentemente ela disse-lhe que sim, ao que ele lhe respondeu:
- Então se ela lhe disse que não, tem ai a resposta!!!
Mas a mãe do Daniel queria que eu fala-se com ele e lhe conta-se, mas não havia nada para contar, mas ela insistia, antes que ela fosse contar mentiras ao Daniel, resolvi contar o que se tinha passado e que a mãe dele estava a ameaçar-me, infelizmente o Daniel acreditava em tudo o que a mãe diz, e o Daniel exaltou-se comigo e as coisas correram mal. Com medo corri para uma tasca ali perto, estava assustada e com medo que ele me bate-se, não seria a primeira vez, liguei para a GNR mas ele apanhou-me, logo por azar os senhores donos do café, foram para a cozinha e o Daniel entrou no café, deu-me um estalo, fiquei exaltada gritei, fiz um drama descomunal, a GNR veio, ele queria por as minhas malas na Rua, não queria nada comigo, mais uma vez me vi na Rua, sem dinheiro, sem conhecer ninguém, sem nada. A GNR levou-me, apresentei queixa do Daniel, mas eu estava tão fora de mim, tão nervosa, que eles não me levaram a serio e aparentemente ainda perguntaram ao Daniel se eu era maluca, esta não era a primeira vez que alguém me chamava maluca. A GNR perguntou-me se conhecia alguém, disse que não, perguntou-me se trabalhava, disse que sim e depois perguntou-me onde? Aquela dita cidade era tão pequena que o GNR conhecia a senhora para quem trabalhava e onde morava. Levou-me lá, podia ser que a senhora me empresta-se dinheiro para comer e para ter para onde ir, a senhora não tinha dinheiro consigo mas depressa se mostrou pronta a ajudar, mandou o senhor da GNR ir numa pensão lá perto para eu ficar, que ela ia depois pagar a conta e para me darem de comer, estava com muita vergonha, nunca tinha passado por humilhação tão grande, a pensão era tão velha que a torneira do quarto pingava, cheirava a mofo, não consegui dormir toda a noite. No outro dia fui trabalhar normalmente, vi-me a ser ajudada por gente boa, que me deu almoço, jantar, me levava a roupa para lavar, que sem me conhecerem, cuidaram bem de mim, ajudaram-me a arranjar um quarto em casa de uma senhora de idade com uma historia de vida de muito trabalho, uma querida a Senhora, alias todas as senhoras que me ajudaram foram uns amores comigo, já mais vou esquecer o que fizeram por mim. Num entanto a senhora para quem trabalhava, pediu-me desculpa mas eu não podia continuar a trabalhar lá, que a mãe do Daniel esteve lá, mas que não era por isso. Até hoje não sei o que ela lhe foi dizer, mas nada me tira da cabeça, que fiquei sem o trabalho por causa disso, mas andando, ela deu-me uns dias para arranjar trabalho antes de sair dali, ate me ajudou a encontrar trabalho.
Bem agora tinha um quarto e tinha um trabalho novo, não tinha era experiência em trabalhar em café quer dizer ter tinha mas não era muita. A Senhora do café era muito exigente, havia palavras ou bebidas como um abatanado que no norte chamamos de meia de leite que eu não conhecia, e a senhora indignava-se com isso, hoje riu-me mas na altura ficava danada por ela me tratar mal, mas não fazia por mal era feitio dela, trabalhava junto com uma senhora que me dava muito apoio e para eu ter calma , tinha uma voz doce, e depois a minha patroa também era minha amiga, tinha o meu ordenado e ainda me dava almoço e comida para levar para casa era um doce apesar de tudo. O Daniel e eu encontramo-nos para falar chorei muito. Mas mais uma vez mesmo depois de tudo acabamos por voltar, eu devia ter ter mais respeito por mim mesma mas enfim, o juízo era pouco. Umas palavras doces e umas lágrimas e eu mais uma vez cai nos braços dele. Depois ele também me levava comida, apesar de lhe dizer que não precisava da pena dele, disse-me que não fazia isso por pena que tinha pedido há mãe, e ela tinha feito para mim.
Ele tinha de regressar ao estrangeiro, foi para se despedir de mim, mas disse-me que não conseguia ir-se embora e me deixar para trás, eu não podia voltar para o estrangeiro, não tinha como tão pouco, ele acabou por ficar em Portugal também.
A Senhora a quem eu tinha alugado o quarto, era uma senhora muito conservadora, ainda daquele tempo que as senhoras namoravam há janela, não saiam a noite e entravam cedo em casa, por isso criticava as modernices e controlava as minhas saídas, só depois de eu entrar em casa dormia descansada. Tenho saudades dela, era muito minha amiga, fizemos companhia uma a outra. De toda a maneira como qualquer rapariga jovem não gostava destes controles todos, arranjei outro sitio para onde ir, uns anexos com as condições necessárias para eu estar, não era nenhum luxo, era frio mas era melhor que nada…
Nota: Depois continuo mais um pouco, custa-me imenso falar destes momentos tão difíceis e inimagináveis na minha vida, preciso de uma pausa...beijinhos em vosso corações, até breve…
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