31/01/13

continuação:

Reconheceu-me e perguntou-me:

-Você não é sobrinha do Sr. Fernando?

eu respondera que não,  pois não queria que o negócio fica-se em águas de bacalhau, só porque o meu marido era sobrinho de tal fulano. Só que ele começou a puxar pela memória e a memória não lhe falhou.
Acabara de ser descoberta, não tive outra hipótese a não ser contar a verdade. Expliquei então que era sobrinha do Sr. Fernando mas, que não era para quem ele estava a pensar que iria fazer negócio, e sim para mim e para o meu marido; porque não se dava muito bem com o tio dele e que abrir o seu próprio seria uma chapada de luva branca. Depois de tudo bem esclarecido, sem ter de esconder mais nada, o negócio concretizou-se.
  Começamos a tratar dos papeis e dos preparativos para a abertura do nosso negócio; depois de tudo tratadinho, eu e a minha irmã tratamos de toda a publicidade e andamos noite a  dentro a por panfletos porta a porta a anunciar a abertura do talho, com nova gerência  tudo corria bem, estávamos contentes, finalmente abríamos portas.
  Nós quando casamos não tivemos lua-de-mel, a situação financeira não era boa, então ficamos mesmo pela nossa bela cidade, num apartamento que os tios do António tinham perto de uma praia; mas já havia passado mais de 5 anos até a data, então eu perguntei-lhe se podíamos tirar uns dias para nós: o talho estava a correr bem já tínhamos um empregado a trabalhar, mas ele não achou muito prudente, acabamos por não tirar dias nenhuns.
  O António começou a achar que eu deveria ir de férias com o nosso filho, que andava cansada e tal e como havia férias do curso em Agosto, achou que deveria mesmo ir, eu não achei piada nenhuma e não queria por nada ir sem ele para lado nenhum, achava que férias deveríamos ser tiradas juntas, se ele não tirava eu também não tirava e pronto assunto arrumado. Era muito teimosa e não havia nada que ele pudesse fazer, pensava eu. O António apareceu-me com uns bilhetes em casa com umas viagem marcadas de ida e volta para mim e para o meu filho, dizendo:

-Andas cansada precisas de férias, para alem disso não vez a tua mãe há 3 anos, então comprei-te os bilhetes para ti e para o menino para 2 semanas de comboio.

Discuti com ele, mas ele já tinha comprado os bilhetes, a única coisa que eu poderia ter feito era não ir , mas burra fui e ai começou o descambar do meu casamento.
  Fora duas semanas muito intensas, o meu filho adorou e também não posso dizer que não gostei, mas eu e a minha mãe temos personalidades muito forte e chocamos muito apesar de nos amarmos incondicionalmente, discutimos e eu liguei ao António a contar o que se tinha passado e a  pedir para arranjar maneira de eu voltar antes do tempo, que queria ir para casa, mas ele não conseguiu. Para dizer a verdade acho que ele nem tentou ou se tentou não se esforçou; de toda a maneira as coisas na minha mãe acalmaram. A minha irmã estava a morar connosco já havia algum tempo, saiu de casa porque namorava com um rapaz com uma deficiência e a minha mãe não aceitava, então foi morar connosco, passado algum tempo de estar a morar connosco acabaram o namoro que já durada há três anos penso eu, por coisas que não diz respeito há minha vida e também não interessa muito. Quanto é certo é que ela trabalhava por turnos, a maior parte das vezes fazia o turno da noite, mas o tempo que eu estive na minha mãe ela esteve sempre a fazer as manhas, dizia que era para não deixar o cunhado sozinho. Quem não gostou nada disto fui eu, ele se fica-se sozinho era porque tinha feito por isso, afinal eu tinha ido de ferias contrariada.
  Quando regressei de Férias estava ansiosa para ver o António, beijar e abraçar o meu marido, estava cheia de saudades. Quando cheguei na estação, na vez de ter o meu marido há nossa espera, tinha a madrinha do meu filho, que nos recebeu de braços abertos e com um lindo sorriso, eu é que fiquei fula da vida e triste pois ele nem me tinha dito nada que não podia ir. Bem, com tudo isto fomos para casa e depois de ter tomado banhoca e ter tratado do meu filhote lá fui eu ter com o António. Chegamos ao talho e quando entramos se eu já estava triste fiquei muito pior, nem um olá, nem um beijo nada de nada tive da parte do António, não percebi tal atitude e  disse-lhe:

- Ao menos dá um beijinho ao menino!!!

Lá deu um beijo ao menino, como não tive umas boas vindas, fui para casa descansar com o meu menino pois tivemos uma viagem longa, estávamos cansados. Chegou-se há noite e a minha irmã ao contrario do que tinha acontecido nos dias que havia estado fora, não estava em casa.
   O António chegou tarde e não vinha lá muito bem disposto. Jantamos e depois fomos nos deitar, nessa noite estava a espera que ele fosse mais aconchegador mas tudo o que tive direito, foi apenas e só um rabo virado para mim e nem um beijo de boa noite. Depois de 2 semanas longe do meu marido não estava há espera de uma chegada tao pouco calorosa como esta, diria mesmo nada calorosa. Isto passou, já de volta há formação e a continuar a vidinha normal, a única coisa que não estava normal era o meu casamento. Duas semanas depois de ter chegado das minhas ferias, era o casamento da madrinha do meu filhote, nada teria mudado como estava a chegada assim continuava, nesse dia disse a madrinha do meu filho:

- olha eu vou deixar o menino ai com o pessoal e vou ate casa descansar e tal e coiso e tal.


Pois nem sesta nem festa, voltamos para o casamento e fui zangada. Depois mais tarde perguntei-lhe se se passava alguma coisa para tal estar a acontecer, porque algo não estava bem. Para ele infelizmente estava tudo bem e não se tinha passado nada, quanto é certo é que me continuava a evitar. 
   Então disse-lhe:

-Se achas que está tudo bem para mim não, e para mim chega eu quero o divorcio!!!

Ele não aceitou e começaram as discussões acesas...ao fim de algum tempo ele começou a pedir para por a minha irmã na rua, eu não percebia porque não via razão para tal. Até que um domingo de manha eu sai para ir comprar umas alfaces a uma senhora la da terra, quando voltei encontrei o António na casa de banho a tratar de um pé da minha irmã porque se havia cortado num pé, a minha irmã ate podia se ter cortado no pé, mas apesar de ser minha irmã e a amar muito não gostei de a  ver enrolada numa mini toalha e discuti com ele, deveria ter sido ao contrario e ter discutido era com ela, mas enfim já lá vai, isto passou e eu continuava a querer muito o divorcio já havia muitas discussões e ele disse-me:

-Queres salvar  o nosso casamento põe a tua irmã daqui para fora.

Estava numa situação desconfortável, era a minha irmã porra, será que ele não via isso. A muito custo tive de falar com a minha irmã, ela nem queria acreditar no que eu estava a fazer e nem eu estava a creditar que estava a fazer aquilo, mas fiz teve de ser. Todo mundo me apontou o dedo ninguém entendia e ninguém acreditava que tinha sido o António  a me pedir isso, parva fui eu em o ter feito. Ela chorou imenso, assim como eu mas não havia nada a fazer. Entretanto conheci um rapaz na internet e falávamos muito até que parecia que já nos conhecíamos há anos, quem não gostava nada disto era o António e se as coisas estavam mal, pior ficaram. Pedi a minha irmã:

- Se o António te pergunta se estive na net dizes que não, estou farta de discussões. Ela concordou. Passado poucos dias saiu la de casa foi partilhar apartamento com umas amigas do trabalho. Apesar de ter saído la de casa continuamos a ajuda-la com carnes e no que podia.
   Entretanto as coisas com António não melhoraram, por isso e começamos a dormir separados e eu disse-lhe quero mesmo o divorcio e não quero que ninguém saiba, quando estivermos divorciados depois falamos com as pessoas, não quero tornar isto mais doloroso, ele disse que sim não havia problema.
   Certo dia apareceram lá os pais do António em casa eu estava a falar com o meu amigo da internet, fui abrir a porta ao meus ainda sogros, e quem mal não tem mal não vê e conforme estava a falar com o rapaz continuei, acabamos a conversa sempre com os meus sogros la ao pé e disse ao Manuel:

- olha vou ter de ir, como vês estão cá os meus sogros e tenho coisa para fazer.

E fui, fiz o jantar e tal, mas estava alguma coisa errada, os meus sogros nunca apareciam la em casa a meio da semana e muito menos a meio da tarde, o António chegou mais cedo a casa o que não era também normal, mas pronto.
No fim do jantar fui surpreendida, o meu sogro virou-se para mim e disse:

- Acabou-se a brincadeira nos já sabemos o que se esta a passar. 

Fiquei passada com isto e disse ao António:

- Eu pedi-te para não contares nada e tu concordas-te!!!!

Eu e os meus sogros tivemos uma discussão enorme, o meu sogro chamou-me todos os nomes possíveis e imaginários  a minha sogra tentava apaziguar as coisas, para eu ter calma que o meu sogro estava só a dizer aquilo da boca para fora etc... e ainda me disse que tinha estado numa vidente e que esta lhe havia dito que eu ia ser uma prostituta e que não ia acabar a minha formação, que ia ser uma infeliz. Esta para mim foi a ultima gota de água.
   O Manuel, também me tinha confidenciado que a relação dele com a namorada Natércia, não estava bem, mas em nada tinha a haver com o meu caso, que estava bem mais grava que o dele.
   Passado uns dias o meu marido pediu-me para pensar bem, que nos ainda podíamos salvar o nosso casamento, eu ainda tentei ainda fomos passar dois fins de semana fora e tal, mas não dava e eu também já não estava para ai virada, já tinham acontecido muitas coisas que eu não ia esquecer nunca…



    

Nota: obrigada pelas vossas mensagens de apoio e incentivo , agora vou tratar  dos meus pequenos depois continuo mais um pouquinho beijinhos em vossos corações 

29/01/13





  Aqui estou eu a começar esta longa jornada.
  A iniciar um novo desafio.
  Sou uma mulher de luta, de garra, mas como todas as pessoas também tenho os meus momentos de fraqueza, e este e apenas mais um como tantos outros momentos mais frágeis na minha vida. Por isso resolvi começar esta nova etapa e apenas tentar que nada mais me afete depois de contar o meu lado da história.
   Por proteção daqueles que não me protegeram, e daqueles que sempre me protegeram vou usar nomes fictícios, o único nome verdadeiro desta história verídica será o meu, apenas e só o meu.
   Espero o vosso apoio ao longo desta nova etapa da minha vida, não espero com isto que todas as pessoas me entendam, mas também gostava que ninguém me aponta-se mais o dedo, já basta o que basta. Sofri muito mas também já fui muito feliz.
  Vou escrevendo linhas soltas a medida que me vou lembrando, sem datas nem sítios, se estiverem atentos vão ver que umas coisas levam as outras e tudo bate certo.






1 etapa
       
Nasci no meio de uma família sem muitas poses, o meu pai morreu era apenas uma criança de apenas 3 anos, a minha mãe, mulher que mais admiro e amo nesta vida, para alem dos meus rebentos, sempre foi uma mulher que nunca baixou os braços e sempre lutou para me dar uma vida digna. Mais tarde viria a casar e teve a minha irmã, só que também não teve muitas sorte e acabamos por viver as três sozinhas, nunca nos deixou passar fome ou andar mal vestidas, andamos sempre bem apresentadas.
        Eu era uma menina um pouco revoltada, sentia que a minha irmã por ser mais doce e meiga que eu, era mais amada pela família e eu era mais agreste e rebelde, sempre fui posta mais de parte e talvez por isso não conseguia ter atos que carinho com ninguém; a não ser agora com os meus filhos, sempre mantive a minha postura de refilona e rebelde mas cá dentro a história era outra completamente diferente, sentia tudo até ao mais pequeno pormenor.
     Cresci e tive os meus namoricos inocentes, nada de muito especial, tive duas paixonetas assolapada como dizemos na brincadeira, uma foi aos meus doze anos, uma paixoneta linda e romântica que nunca vou esquecer cada pormenor, as vezes sinto saudades desse amor, inocente sem malícia alguma, sem pedir nada em troca, namoramos três anos sem nunca haver uma troca de beijinhos, apenas dávamos as mãos olhávamos apaixona-ditos uma para o outro riamos muito ouvíamos muita musica, dizíamos tolices de namoraditos. Não sabem o bem que me faz falar e relembrar estas coisas, tenho saudades, confesso, mas ao fim de três anos, já tinha quinze anos um dos nosso amigos disse:
      
    -Mas que raio de namoro é este sem nunca ter existido um beijo?
Pois e la tivemos que dar o nosso primeiro beijo, talvez por ter sido forcado e não de livre e espontânea vontade, não achei assim la muito romântico e puffff lá se foi o romantismo todo, e acabei a relação que tínhamos. Depois disso tive mais uns namoricos e uma grande paixoneta por um rapaz bem mais velho que eu, eu gostava muito dele mas ele não me ligava patavina, apenas me achava graça e não passou daquilo, Tive bastantes conversas com a minha mãe, pois não achava nada piada ao rapazito  e estava sempre a dar-me nas orelhas mas também de nada valeu pois nunca namoramos.
    Tinha uma amiga de escola que conhecia um rapaz que por coincidência também era meu conhecido desde os meus seis anos, e ela era super apaixonada por ele, e começamos com aquelas brincadeiras parvas que acho que todos temos de fazer chamadas anónimas a gozar etc... e eu com a mania de querer arranjar namorico entre eles, acabou ele apaixonado por mim, escusado será dizer que a nossa amizade acabou pois ela acusava-me pelo facto dele se ter apaixonado por mim, enfim. Ele por sua vez não desistia de querer namorar comigo, entretanto ele teve de ir para a tropa e andou assim mais calmo, e eu tive os meus namoricos que as vezes não duravam mais do que umas horas achava os rapazes muito parvos apesar de bonitos e acabava com eles, mas o António (relembro nome fictício) Voltou da tropa e começou a aparecer la em casa, quem não achava muita piada era a minha mãe pois no dia dos namorados apareceram la em casa três rapazes com prendas. Depois de se terem ido embora a minha mãe perguntou-me se eu não tinha vergonha,  eu respondi-lhe que não, pois eram apenas e só meus amigos e eu não tinha culpa, pois nada havia feito para eles gostarem de mim. Dois deles desistiram de querer fosse o que fosse comigo, eu era osso difícil de roer apesar que eu achava piada a um deles por ser cómico, girinho e romântico, até tocou na sua guitarra  e cantou para mim no dia dos anos dele, a música conhecida do Pedro Abrunhosa, "E tudo o que te dou", pois muita música mas não passou disso, quem não desistiu foi o António que continuou a ir lá a casa e a minha mãe adorava-o, a minha irmã também não ficava atrás, ele nada burro começou a convidar a minha irmã para sair e eu já não comecei a achar nenhuma piada aquilo. Até que certo dia fui eu sair com ele e com uma amiga, enchi-me de coragem e pedi-o em namoro, se soubesse o que estava para vir, teria preferido partir as minhas perninhas, mas pronto ironia do destino este namoro já não foi assim tão inocente e a curiosidade e as brincadeiras acabaram numa gravidez não planeada, tinha dezasseis anos.
   Escusado será dizer que casei e tive um  lindo rapaz, a luz dos meus olhos, e tive de crescer muito rápido, de repente já era casada, mãe e já tinha uma vida bastante diferente do restante grupo dos meus amigos. por isso afastei-me e comecei a viver para a minha nova família. Passados três meses de ter tido o meu filhote aconteceu o inesperado, estaria grávida de novo e o meu na altura marido não achou lá muita piada e começou a primeira crise do nosso casamento.., Fiz o primeiro teste de gravidez, resultado...deu positivo chorei muito devo confessar. Ele não queria esse bebé e eu queria e preferia o divórcio ao ter de tirar esse bebé, que era inocente e não tinha culpa das asneiras dos pais. Durante 1 mês quase nem nos falávamos, foi muito doloroso para mim, afinal era uma jovem mãe de apenas dezassete anos, ainda por cima novamente grávida. O António levou-me a uma enfermeira, de uma clínica dos conhecimentos dele, queria que eu aborta-se, travamos algumas discussões eu não queria nem por nada que isso acontece-se, o meu casamento estaria por um fio. Marquei a primeira consulta e a médica mandou-me fazer análises ao sangue pois era o meio mais fiável para ter a certeza que estaria grávida. Fiz o teste de sangue que também acusou positivo e marquei a primeira ecografia para ver se estava tudo bem, de quantas semanas estava…
 Não será preciso vos dizer que passei por tudo isto sozinha, pois na altura estava zangada com o meu marido e nem com a minha mãe falava, por discordância familiar, por outros motivos que não vem agora para o caso.
   Chegou o dia mais esperado para mim, o dia da ecografia do meu segundo bebé. De manhã levantei-me arranjei-me tratei do meu filhote e saímos para a ecografia tudo muito normal, cheguei no consultório estava nervosa ao mesmo tempo triste, estava a viver aquele momento sozinha sem o apoio de ninguém, entrei no consultório e deitei-me na maca e começou a consulta, para espanto da médica e para meu espanto eu não tinha bebé nenhum e nem queríamos acreditar que tal fosse possível. Fiquei sem chão de rasto pois já tinha passado 1 mês numa luta desmedida com o meu marido, por uma coisa que afinal não existia, depois disto as coisas para mim já não foram como eram antes. Apresei-me a tirar explicações com a clínica, um teste de farmácia já sabia que podia falhar mas um teste ao sangue nunca me passaria que tal fosse possível, pois a resposta que tive da clínica foi, que as minha hormonas estavam alteradas e talvez por isso tivesse dado positivo, erros acontecem, perguntei :
 E agora quem se responsabiliza pelos danos causados no meu casamento, vocês não tem a noção pelo que passei, pois não? Para alem dos danos morais o dinheiro que também já havia gasto em consultas particulares, etc...
Pois a resposta foi pura e simplesmente :
- Pedimos imensas desculpas, mas pode acontecer com qualquer analises!
Fiquei chocada, chorei imenso, quem ficou mais aliviado foi o António pois não se estava a ver a ser pai como ele dizia outra vez aos vinte e um anos.
Enfim, a muito custo o meu casamento recompôs-se, mas jurei que nunca mais teríamos mais filhos depois do que se havia passado. A nossa vida começou a mudar, compramos carro, passado um ano compramos casa e as coisas estavam a correr tão bem que comecei a incentivar o António a abrirmos o nosso próprio negócio. Ele era talhante e era bom no que fazia e eu admirava-o e gostava de ver a paixão que ele tinha por aquilo, o brilho que ele tinha nos olhos enquanto trabalhava e praticamente ele é que geria o talho durante o dia, já tinha imensos anos de experiência, já trabalhava naquilo deste os seus treze anos, tinha uma amor incrível pela arte dele. Ele por sua vez não estava muito convencido que seria capaz, mas na altura eu era uma jovem, não tinha medos e via as coisas com outros olhos que hoje não vejo, então decidi procurar negocio para ele. ate que ele um dia me falou de um senhor que tinha um negocio aberto e que queria trespassar por se encontrar muito doente. Aquilo ficou-me na cabeça.
   Na altura eu estava a tirar um curso Profissional de cabeleireiro, no centro de formação profissional, e tinha uma rapariga muito minha amiga, dávamo-nos muito bem, desabafava muito com ela e andávamos sempre juntas e falei com ela que queria ir há procura desse senhor, se ela podia ir comigo, ela lá aceitou. Nesse dia há noite falei com o António e disse-lhe: 

-Olha combinei com a Maria e amanhã vou falar com o senhor, ele estava muito reticente, tinha muito medo de depois não conseguir aguentar as despesas, tínhamos a casa, o carro para pagar e depois se não dava e tal… bem eu lá o convenci que ele era capaz, e eu confiava nele. O António não podia ir comigo, pois pelo que parece o senhor era rival do tio dele e se soubesse de quem ele era sobrinho, não fazíamos negócio.
  Bem, no outro dia seguinte, eu e a minha amiga depois da formação acabar lá fomos falar com o senhor e a conversa correu mais ou menos, nesse dia vim para casa cheia de esperança e de sonhos, estava feliz. Passados uns dias lá fui eu ter com o senhor de novo, levei a minha amiga Maria, mas nesse dia fui confrontada com o filho do senhor que me reconheceu, estava a ver que lá se ia o negócio…
  
                                                                                                                       amanhã ou mais logo escrevo mais um pouco espero por vocês até já beijinhos em vossos corações

Páginas soltas da minha vida