03/02/13



   Cada vez mais perto do aeroporto para ver o homem pelo qual parecia estar a apaixonar-me (ou não !!) o meu coração estava a bater mais depressa, sentia borboletas no estômago, vontade de rir, coisa que ultimamente era tão raro.
     Duas horas e meia de viagem, finalmente chegara ao aeroporto, já estava atrasada....quando entrei no aeroporto parecia estar a viver um sonho, um conto de fadas.
     Quando o Manuel me viu dirigiu-se a mim agarrou-me e beijou-me delicadamente, beijava tão bem, tinha uns lábios macios, cheirava bem, era alto robusto, sentia-me segura, finalmente.
     Dirigimo-nos de volta ao táxi e rumamos a um miradouro perto da cada dele, depois disso o taxista foi á vida dele. A partir dali estávamos enfim sós. O miradouro tinha uma vista maravilhosa era um sitio lindo, depois fomos para casa dele, toda eu tremia afinal era a primeira vez que estaríamos juntos, ele já era um homem muito experiente, eu só tinha tido o meu marido mais ninguém. Mas ele foi compreensivo meigo e doce, tratou-me tão bem. Todo o nervosismo havia passado. contei-lhe que não tinha forma de voltar para casa, ele disse para não me preocupar, fomos almoçar a casa da família dele, apresentou-me e fui muito bem recebida, chegou-se a noite, levou-me na estação e pagou-me o bilhete de comboio e voltei para casa. Passados uns dias foi o natal, o meu carro estava de volta em casa, agarrei no carro e fui até á praia, estava sozinha não tinha ninguém, chorei muito, não sabia onde o meu filho ia passar o natal nem como, não sabia se estava bem, a única coisa que sabia é que a minha irmã ia estar com ele. Mas a minha irmã estava do lado do meu marido. Enfim, passou o natal e eu tive uma consulta no ginecologista, o meu marido quis ir comigo para ter a certeza que o dinheiro que não era para mais nada a não ser para a consulta, eu não me importei, mas nesse dia alguém me alertou que o meu marido queria me matar, a mim e ao Manuel, porque se não era dele não seria de mais ninguém, e que o irmão dele lhe tinha dado uma arma, nessa tarde estava em casa sozinha, procurei cada canto da casa, até que encontrei uma espingarda guardada no guarda-fatos dele, apressei-me a esconde-la na garagem, junto com umas decorações de natal, lá eu sabia que ele não iria mexer. Chegara o final de tarde fui tomar banho, estava nervosa depois liguei ao Manuel e contei-lhe o que se tinha passado, ele disse para eu ter calma, para ver se arranjava maneira de ir ter com ele, mas sem dinheiro era impossível. Fui na consulta, o meu marido chegou, esperou um pouco no consultório para ter a certeza que eu ia a consulta, mas disse-me olha não posso esperar tenho uma coisa para fazer por isso toma o dinheiro e foi embora, eu vi-me com o dinheiro na mão, lembrei-me do que o Manuel me tinha dito, sai porta fora do consultório e fui para a estação de comboio, tremia muito estava a sentir-me seguida. Comprei o bilhete liguei ao Manuel e disse-lhe que já estava no comboio, ele disse que depois ia ter comigo para me ir buscar. 
   De repente e já dentro do comboio vejo a GNR, entraram no comboio e vi o meu marido com o comandante, presumi logo que era para mim, levantei-me e disse:

  -Presumo que estejam a minha procura?
  -Sim estamos!! a senhora tem de nos acompanhar!!
  -Desculpe? Tem algum mandato de captura? cometi algum crime?

O senhor riu-se com um sorriso irónico, até parecia que estava a gozar comigo, olhei pela janela e o meu marido estava a rir-se bem disposto sereno. Depois veio a resposta do Senhor:

  -Na realidade não, mas temos um senhor que a acusa de roubar uma espingarda!
  
Respondi:

  -Não roubei nada, a espingarda do sr. António está na garagem da nossa casa, dentro de uma caixa numa prateleira por cima das maquinas, escondia porque recebi uma chamada a dizer que o Sr. António queria matar,  a mim e ao Manuel!!! Por razões de segurança não vou convosco, se mas a arma esta nesse sitio que vos disse. Os senhores saíram do comboio e o comboio partiu, não imaginam o alivio que foi para mim ver aquele comboio a andar. Quando cheguei no meu destino o Manuel não estava a minha espera, presumi que estaria atrasado então esperei , passaram-se quarenta e cinco minutos e nada, resolvi gastar os poucos trocos que tinha comigo para lhe ligar, o telefone tocou tocou e nada de atender. Comecei a pensar que me teria deixado plantada, afinal quem é que quereria estar com uma pessoa com tantos problemas como eu???!!! Mas ao fim de uma hora lá ele apareceu, pediu-me mil desculpas mas tinha um problema no carro que teríamos de resolver os dois, perguntei-lhe o quê, pois já tinha tantos problemas mais um não sei se ia aguentar!?? Ele disse-me que a Natércia não aceitava o fim da relação deles, e que e o procurou para falarem mas que não queria sair do carro, por essa razão chegou atrasado, para não me deixar mais tempo ali que teve de a trazer com ele. Foi uma cena que enfim, disse-lhe que tudo bem que eu ia também não teria grande escolha, mas que não seria eu a ter de resolver nada. Levou-nos para uma sitio qualquer e eu sai do carro para os deixar falar e resolver o que fosse que tivessem para resolver, ele veio ter comigo e disse para ir para dentro do carro estava frio, perguntei se a Natércia iria continuar com ele, respondeu-me que não.  Quando dou conta estávamos todos os três sentados na mesa de um café qualquer, ela insistia que não o deixava e eu estava ali a levar com aquilo tudo. Eu disse-lhe que eu não ia impor a minha presença que me levassem de volta há estação. O Manuel não me quis levar a lado nenhum e propôs que dormíssemos juntos e passaremos o ano os três juntos, respondo logo:

  -Só podes estar a brincar comigo?

A Natércia também não aceitou, mas viu que não ia a lado nenhum, que só lhe restava ir embora. Finalmente sós, estava exausta já era tarde, fomos para casa. Vivemos uns dias intensos, ternos, cheios de simbologia, até hoje guardo na memória todos esses momentos, mas o Manuel teria de voltar ao destino dele e eu ao meu. De volta há realidade.
  Chegou o dia da reunião do meu divórcio, quando entrei na sala com a minha advogada lá estava o meu marido com o advogado. A reunião foi tudo menos amigável, o advogado do meu marido acusou-me de adultério, mas que raio era adultério??? Era mesmo ingénua, a minha advogada perguntou se era verdade? Eu perguntei-lhe o que isso era? Perguntou-me se eu andava com alguém? Disse-lhe que sim mas que eu já não estava com o meu ainda marido e achava que podia ter namorado que isso não tinha mal algum. Infelizmente isso era adultério porque ainda era casada, então disse:

  - Mas então se isso é adultério, o meu ainda marido também cometeu?

Perguntou-me:

  - Tem provas?
  -Não.

Mas ao contrario de mim, as ameaças que o António outrora fizera afinal eram mesmo verdade, o advogado  dele tinha em seu poder fotos e conversas inteiras que eu e o Manuel tivéramos na Internet. Nem queria acreditar que ele tinha invadido a minha privacidade, e que me expôs daquela maneira, para ele era um vale tudo, mas não para mim eu só queria o divorcio e a guarda do meu filho, ele podia ficar como talho a casa eu não queria nada, propôs-me algum dinheiro muito pouco ficava com o meu carro e levava alguns moveis de casa, se não aceita-se íamos para o divorcio litigioso e ai ficava sem nada por ter cometido adultério, como eu não queria nada, para mim tanto se me dava, aceitei as condições, mas fiquei revoltada pois ele também cometeu adultério, eu não tinha dinheiro nem para arranjar as provas que precisava, fiquei com a má fama e ele com o proveito todo. Assim que ele pós o dinheiro na minha conta arrendei apartamento sai de casa levei alguns moveis e tive o meu filho de volta. Parecia que as coisas estavam a compor-se. Mas no dia em que me mudei para o apartamento uma das pessoas que tinha conhecido a pouco tempo e se juntara ao meu grupo de amigos, ofereceu-se para me ajudar na mudança mais um primo meu. Nesse dia essa rapaz, também ele divorciado e pai de um filho, apanhou uma grande bebedeira, trancou-se na casa de banho e chorava como uma criança. Bati na porta e perguntei-lhe se ele estava bem, mas ele só chorava, mas chorava tanto que dava dó. Quando saiu da casa de banho, disse-me que eu não merecia  a sua amizade, e eu a pensar com os meus botões:

  -A bebedeira é f.....!!!

Como ele não parava de dizer que eu não merecia a amizade dele, perguntei-lhe:

- Já agora podes dizer porque?

Ao que ele me contou, que se eu não tinha levado nada do meu casamento foi por culpa dele. Eu ri-me pois aquilo para mim não estava a fazer sentido, ele estava mesmo bêbado não sabia o que estava para ali a dizer. Ele continuou, disse que o meu ainda marido tinha-lhe pago e que um dia o levou lá a casa para ele me instalar um programa qualquer no meu computador, com esse programa ele tinha acesso vinte e quatro horas por dia ao meu computador, que ele viu tudo o que eu e o Manuel falamos e fizemos na Internet, fiquei de rastos, não acreditava no que tinha acabado de ouvir!!!!Estava em choque, ele só me pedia desculpa e para o perdoar, porque ele só agora tinha percebido que o que o meu ainda marido lhe havia contado era mentira e que se arrependera de tal ação. Mas não teria sido tarde se ele quisesse contar a verdade á minha advogada e fosse depor a meu favor em tribunal, assim podia acusar o meu ainda marido de invasão de privacidade, difamação entre outras coisas, mas ele recusou-se, disse que tinha um filho para criar, que não queria ser preso porque o que ele havia feito era crime. Perguntei-lhe quanto o António lhe havia pago, disse-me que foram quinhentos euros, suponho que foi mais mas enfim, disse-lhe que não podia ser mais amiga dele pois aproximou-se de mim, fez-se meu amigo, inseriu-se no meu grupo de amigos e na volta era inimigo!!! Perguntei-lhe se ainda tinha o programa no meu computador, respondeu-me que sim, mas que só reinstalando o computador de novo o poderia tirar, não sabia se podia confiar nele pois tinha me apunhalado, mas pedi-lhe que fosse lá instalar tudo de novo e pedi que saísse da minha casa, disse-me que ia  e que outro dia voltava para fazer o que lhe havia pedido.
   Estava confusa era muita coisa na minha cabeça e ainda estava longe do fim… 

                                                                                                Bem, amanhã cá voltarei para continuar esta longa jornada, cá espero pelos vossos comentários , beijinhos em vossos corações 

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