... Morei nessa casa pouco tempo, mas foi tempo suficiente para o meu filho vir passar uns dias comigo, o meu ex-marido ofereceu-se para o vir trazer uns dias, se não me engano foi numas ferias de Páscoa foi pouco tempo mas o meu filho estava feliz por vir, enquanto trabalhava a mãe do Daniel ofereceu-se para cuidar dele, foi uma boa ajuda, as ferias acabaram e o meu ex-marido veio buscá-lo, depois disso mais uma vez o azar me batia há porta.
O irmão da senhora a quem tinha alugado os anexos viria fazer um trabalho para a zona, a senhora pediu-me que sai-se dos anexos, precisava deles para o irmão, fiquei aflita e preocupada pois não sabia o que ia arranjar depois. Nisto encontrei uma senhora na rua que já não me lembro dela, se passar na rua já não a conheço, com muita pena minha, pois a senhora foi uma grande ajuda. Aparentemente a senhora foi ás compras num super mercado numa aldeia vizinha, e nesse super mercado tinha umas lojas cá fora, tipo um pequeno centro comercial, entre elas tinha um cabeleireiro, nesse cabeleireiro tinham um anuncio a pedir empregada e a senhora tirou o número para me dar, foi um amor. Quando me viu na rua chamou-me, disse que se lembrou de mim, que merecia ser feliz, desejou-me boa sorte, existem pessoas com muito bom coração.
Apressei-me a telefonar e depressa marquei entrevista, quando fui há entrevista correu tão bem que fiquei com o trabalho, logo de seguida recebi uma chamada que uma rapariga noutra aldeia ali perto procurava alguém para partilhar apartamento, liguei-lhe também, fui ver o quarto não tinha nada mas fiquei com o quarto. A rapariga era muito fixe gosto muito dela, ainda hoje mantemos contacto, vivemos coisas engraçadas, apesar de ter sido por pouco tempo. As coisas estavam a começar a correr bem finalmente.
Despedi-me do café da senhora que apesar de ser muito exigente também tinha bom coração, também trabalhava lá uma senhora, que devo confessar foi quem mais me custou deixar para trás, foi ela quem me deu muita forca para aguentar ficar ali a trabalhar e aguentar o mau feito da patroa, bem depois de me despedir e contas feitas, lá fui eu á minha vida. Também sai dos anexos (ainda fiquei a dever renda a essa senhora durante uns dois anos talvez, mas assim que pude enviei-lhe o dinheiro e graças a Deus não devo nada), e mudei-me para o quarto. Foram mudanças boas, algo de bom na minha vida começou a acontecer. A minha relação com o Daniel não era má na altura mas também não era boa, ele tinha imensos ciúmes, e não gostava que sai-se sem ele. Ele tinha arranjado um trabalho como segurança e trabalhava no turno da noite, e controlava-me muito, para ter a certeza que não saia há noite. Quando chegou o euro 2004, havia muitas pessoas na rua a festejar as vitorias de Portugal, era lindo de ver a alegria das pessoas, os gritos que davam GOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOO, era mais um golo de Portugal, as buzinas dos carros, as pessoas a comer caracóis e pão torrado com manteiga, a beber cervejas, as bandeiras de Portugal casa sim, casa sim, era fascinaste saiamos há rua e só ouvíamos a falar do euro 2004, que saudades. Quem não estava muito contente era o Daniel, pois estava a trabalhar e gostava de estar a festejar e a ver os jogos e não podia, e por isso não achava muita piada o facto de eu o fazer,(ele esta não sabe, mas certamente que agora vai ficar a saber, uma vez que segue este blog), eu saia com a rapariga com quem partilhava o apartamento e ia comemorar para a avenida lá da aldeia como todo o mundo fazia, foram grandes momentos, divertimo-nos muito. Ainda chegamos a ir a uma festinha lá numa aldeia perto da mãe dela, dar um pezinho de dança, esta o Daniel nunca soube. Foi nessa altura que o Daniel me escreveu uma carta, que ainda hoje guardo comigo,(talvez a publique mais tarde), nessa carta ele escreveu coisas que era impossível ele não ter razão concordava com cada palavra dele, entre todas as verdades que ele dizia nessa carta a mais pura verdade era que eu estava em Portugal, mais perto do meu filho mas mesmo assim tão longe como se estivesse fora de Portugal, pedia-me que pensa-se em voltarmos para o estrangeiro, uma vez que receberíamos há semana e as dificuldades acabariam ou pelo eram menos não eram tão grandes, em Portugal nunca tínhamos dinheiro, nem para poder estar com o meu filho. Ele tinha toda a razão.
Foi das cartas mais sinceras e a única que o Daniel me escreveu, tocou-me no coração.
O tempo foi passando, eu AMO o meu país, custava-me muito pensar em ter de voltar a sair do meu país. O Verão decorria, o Daniel e eu passamos bons momentos na praia, pelo menos nunca nos zangamos por ir há praia, ao menos isso, acho que foi das poucas coisa que tínhamos em comum e que gostamos de fazer juntos.
Numa noite de Verão bonita e agradável , eu e o Daniel zangamo-nos, e a minha colega com quem partilhava a casa convidou-me para ir beber um copo com uma amiga dela, eu aceitei, quando voltamos dei conta que estava a ser seguida. Era o Daniel quando chegamos perto de casa acelerei para ver se parava o carro depressa para entrar dentro de casa sem o Daniel se meter comigo, mas ele foi mais rápido que eu, se não fosse a minha amiga se ter metido a frente e dizer-lhe se quiseres para lhe bater primeiro, disse ela muito corajosa
- Bates-me a mim porque só lhe bates se passares por cima de mim!
Foi muito corajosa; vontade de me bater não faltava ao Daniel por eu ter saído, mas não me bateu, discutiu imenso comigo no meio da rua, e foi embora.
No meu trabalho as coisas corriam muito bem, adorava a minha patroa, é uma pessoa muito humana, tinha cabeleireiros e ourivesarias, nesses centro comercial onde eu trabalhava ela também tinha uma ourivesaria as minhas colegas de trabalho eram espetaculares, dávamos nos todas muito bem, riamos imensos, a minha Patroa costumava-me levar com ela para ir cobrir férias em outros cabeleireiros, mas o Daniel não gostava nada disso, gastava muito dinheiro em mensagens para nada só discutíamos tinha muitos problemas com o Daniel, mas enquanto estava no meu trabalho eu esquecia esses problemas, sentia-me bem. Ainda hoje quando falo com as minhas ex-colegas de trabalho relembramos com muita saudade esses momentos, foi o melhor trabalho que tive até hoje, pelo menos o que mais gostei em Portugal. Uma noite cheguei a casa senti-me sozinha esgotada das minhas discussão com o Daniel e sentei-me há mesa com uma data de medicamentos há minha frente, queria morrer, já estava esgotada de lutar e de não ser feliz, tomei os medicamentos todos, depois deitei-me mas comecei a sentir me mal e sai de carro, arrependi-me do que tinha feito e queria ir ao hospital mas quando cheguei ao centro da vila já não conseguia conduzir, telefonei para as urgências e pedi uma ambulância, fui para o hospital, a policia ficou com o meu carro, fizeram-me uma lavagem ao estômago e no dia seguinte sai do hospital, o Daniel não me foi buscar e fui a pé para casa era longe foi mais de uma hora a pé. Quando cheguei há vila fui buscar o meu carro e fui para casa descansar, não estava bem.
Passado pouco tempo tive uma proposta que me pareceu boa, e mudei de emprego. Passados uns dias fiquei doente, estava com uma otite, fui no medico deram-me antibióticos, mas ao fim de quinze dias a infeção teimava em não ir embora, e tinha febres altas, fui de novo a médico e passou-me uma carta para o hospital. Tinha pouco dinheiro e o hospital ainda era longe, combinei com o Daniel, como ele não conhecia a minha irmã e o hospital não era muito longe de onde ela vivia e eu também já não via a minha irmã há imenso tempo, aproveitávamos já que íamos la perto e íamos ter com ela, assim eu ia há consulta depois ia ter com a minha irmã e ele já a ficava a conhecer. Então lá fomos nos há consulta, a otite não passava porque era uma otite externa e não podia apanhar humidade nenhuma mesmo e por isso tinha de ter muito cuidado, a consulta terminou e pensava que ia ter com a minha irmã, mas o Daniel disse que um amigo dele do estrangeiro estava em Portugal e que queria ir ter com ele, mas como cada vez que eles se encontravam era bebedeira pela certa, eu não queria ir e depois a minha irmã é família muito mais importante que os amigos, pelo menos para mim é assim. Mas o Daniel argumentou que a minha irmã era longe e que o amigo era ali perto, não queria discutir até porque estava doente, o Daniel levou a dele avante e eu fiquei danada, quando la chegamos ao pé do amigo dele, falaram e tal, fomos almoçar ali perto, eles começaram a beber e eu só pedia ao Daniel para ir embora queria ir me deitar não estava bem, mas começaram a beber e esqueçam lá isso, os amigos dele ficaram logo comigo de ponta, depois andaram de tasco em tasco e eu no carro, já estava furiosa. ao fim do dia disse-lhe que levava o carro porque ele estava bêbado, foi logo uma discussão enorme por causa disso, acabou ele por levar o carro, estava cheia de medo a viagem era longa e os riscos eram muitos. Foi uma discussão em vão ele acabou por ir a conduzir. Quando chegamos perto de casa as coisas pioraram e já não me lembro bem como foi mas sei que acabamos a discutir e deu para o torto e largou-me em casa e ele foi embora para a dele. No outro dia fui trabalhar e há hora de almoço vim a casa como fazia as vezes e estive com ele só que as coisas ficaram piores e mais uma vez levei na cara fiquei fora de mim, liguei para o trabalho, não estava em condições de ir trabalhar empacotei as minhas coisas carreguei o carro e fui ao meu trabalho, despedi-me recebi o pouco que tinha para receber , liguei para o Daniel disse-lhe que estava de partida pediu-me para me ir despedir dele e eu fui. Quando me fui despedir do Daniel fui surpreendida com as coisas que me disse, nem queria acreditar no que estava a ouvir, O Daniel disse-me que estava metido nas drogas, pensei por breves momentos que me estava a mentir só para eu não ir embora, mas disse-lhe que se cuida-se e fui embora. A troca de mensagens e as saudades do Daniel eram muitas, mas como eu podia ter saudades? Ele tratava-me tão mal !! mas quando pensava no sorriso dele, na voz, nos momentos bons que também já tínhamos passado, toda a raiva que sentia por ele passava e parecia que se transformava num amor plutónico, Ele por sua vez (e segundo o que a minha sogra me havia contado) pediu dinheiro há mãe para me ir buscar que me amava e não conseguia viver sem mim. A minha sogra sempre fez tudo por este filho e mais uma vez não se viu a dizer-lhe que não. Uma semana depois de eu ter partido para a minha terra o Daniel foi me buscar. Mas por incrível que pareça ate nesse dia as coisas correram mal, ele bebeu disse-me coisas que não devia ter dito ate me acusou de ter ido para a cama com um tio meu. Sinceramente dizia as coisas para me magoar, era o meu tio, o Daniel era muito ciumento, possessivo e isso era notório a cada dia que se passava. Mesmo assim fui com ele mais uma vez. Prometeu-me que se voltássemos para o estrangeiro que se tratava e que essa fase má iria passar. Quando voltei, fiquei em casa dos pais dele, fomos tratar de ir buscar o resto das coisas que tinha deixado no quarto, onde eu estive a morar e que tinha deixado para trás. Depois liguei para a minha ex-patroa e pedi-lhe trabalho, disse-lhe que seria apenas por mais um mês ela aceitou-me de volta por mais um mês. Um mês depois estávamos de volta ao estrangeiro.
Ficamos em casa da irmã dele a pagar uma renda, ele arranjou logo trabalho eu ainda demorei umas semanas arranjar trabalho, mas finalmente arranjei trabalho. O Daniel já me havia pedido para lhe dar um filho já havia mais de um ano, mas quando voltamos já nem pensava nisso já nos havíamos magoado demais acusando-nos um ao outro por eu não ficar de bebe, todos os meses gastava dinheiro em testes de gravidez bastava o período ficar atrasado um dia e já eu ia a correr para a farmácia pensei muitas vezes que a razoa de eu não ficar de bebe pudesse ser a causa de todos os nossos problemas, mas sinceramente já nem pensávamos nisso os planos eram trabalhar e poupar o que podermos e tentar fazer vida. Mas o destino prega-nos partidas. Estava no trabalho o meu período atrasou-se uma semana e eu estava muito ansiosa normalmente já teria ido a correr para a farmácia mas aguentei uma semana e como nunca mais vinha decidi fazer o teste sem dizer nada a ninguém O teste deu positivo estava feliz mas não acreditava tanto não acreditava que fiz 5 testes mas estavam todos positivos, depois sim já acreditei. Liguei ao Daniel pedi-lhe que me viesse buscar ao trabalho…
Nota: Demorei uma semanas para publicar esta pagina, tenho andado muito ocupada mas aqui esta mais um pouquinho de mim para vocês e em breve espero ter mais um pouquinho para partilhar convosco, beijinhos em vossos corações até breve. LB
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