12/10/13

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Situações destas surgiram imensas vezes, discutir e bater já eram coisas banais na nossa relação, nesta altura já tinham acontecido tantas vezes e tantas outras se repetiram depois desta.
   O que mais me arreliava era o facto de ele vir bêbado e ir acordar a nossa filha para brincar porque ainda não tinha estado com ela, depois ainda discutíamos porque eu me metia á frente dele para tentar o impedir de fazê-lo, mas sem sucesso. Eu, assim como pessoas no estado normal, não iriam acordar uma criança para brincar com ela só porque não quiseram estar em casa com a sua família, mas sim preferiram estar com os amigos a beber uns copos; esta situação foi motivo de muitas discussões entre nós.
   Ouve muitas passagens más na nossa história de vida, o Daniel deu-me de facto muitos dissabores , estaria a ficar longe de ser o homem que de facto sonhei para a minha vida, mas de facto Amava-o com todas as minhas forcas, vá-se lá saber porque...mas se fosse a relatar todos os arrufos que ouve na nossa relação, daria muito mais que um livro ou muito mais que estas linhas que aqui vos escrevo. Saltando linhas na minha vida...
   O meu filho veio morar connosco, eu não podia estar mais feliz... mas aquilo que era o meu sonho depressa foi um pesadelo...foi uma curta metragem, uma vez que o ambiente lá em casa era muito pesado e o meu filho já não era um bebé e percebia bem tudo o que se passava, numa grande discussão o Daniel foi de facto muito severo e o meu filho ficou apavorado com o que se tinha passado, e mais uma vez eu tive a policia há porta, certo foi que o meu filho foi de ferias e já não quis voltar... Foram semanas a chorar, mas não foi nada que a minha mãe não me tivesse avisado:
    -Liliana não deixes o teu filho ir, ele vai e não volta...etc...eu não quis acreditar e o facto foi que ele não voltou mesmo... nada do que eu disse-se ia mudar isso...por incrível que pareça o Daniel estava mesmo preocupado comigo, nunca me tinha visto assim tão desconsolada e já não sabia o que dizer o fazer para me consolar...mas na minha cabeça eu sabia o que ele deveria ter feito e não fez... ou o que eu deveria ter feito e não fiz...mas agora era tarde de mais e eu não podia trazer o meu filho de volta.
    Foram semanas de uma grande luta comigo mesma, a minha cabeça parecia um computador que não parava de pensar e imaginar o que poderia ter feito...ou como devia ter feito.
   Entretanto, longe de imaginar mas com um pressentimento de que algo estava errado como Daniel, comecei a juntar pecas no puzzle, mais uma grande etapa estaria para vir, entre fobias, horários doidos de trabalho, telefonemas estranhos etc... definitivamente algo estava mesmo muito errado.
   Costuma-se dizer que quando uma mulher desconfia é porque há gato, nesta caso não era gato antes fosse, teria sido muito mais fácil... mas mais uma etapa para lutar.
   Afinal foi sempre assim a minha relação com o Daniel foi uma luta constante.
   Passado uns meses o meu filho veio de ferias com a minha irmã e um amigo nosso, numa altura em que eu estive muito doente e estive até internada e em que a minha filhota também rachou a cabeça na brincadeira a correr de um lado para o outro. E nesta altura a minha irmã comentou comigo que o Daniel fazia saídas estranhas.
     A minha irmã ,o nosso amigo e o meu filhote estiveram cá só uma semana, eu pouco tempo estive com eles pois estive quase todo o tempo internada, o tempo passou rápido, as ferias acabaram e depressa voltamos há realidade.
   Depois de andar desconfiada resolvi por a minha desconfiança há prova, foi então que comecei a procurar evidencias da minha desconfiança.
   Foi um golpe duro, 
muito difícil de aceitar, depois de muita busca e muita procura encontrei a pior das respostas as minhas desconfianças.
   O Daniel tinha se enfiado nas drogas e foi uma longa batalha...Cheguei a ter de ir com ele com a nossa filha comprar drogas para ele consumir até o tratamento começar, nada que ele já não tivesse feito com a filha sozinho sem eu saber... só Deus e eu sabemos o quanto temi pela minha filha etc... as vezes as pessoas não têm a noção do que é a vida de uma pessoa, falam, criticam e condenam, mas, como diz o ditado falam de core, sem saber e condenam há nascença. Foi sem duvida o golpe mais duro para mim durante toda a minha relação com o Daniel, nunca pensei que o passado dele volta-se para assombrar as nossas vida e muito menos depois de o Daniel ser pai. Sempre pensei que depois de ser pai o juízo lhe fosse entrar na cabeça mas não podia ter estado mais errada. Depois desta dura realidade passamos juntos uma longa batalha, entre recaídas e vitórias fomos juntos levando o barco.
    Choramos juntos, agarrados um ao outro, entre olhares distantes, duvidas, vazio, sei lá nem consigo descrever tantos sentimentos que esta etapa das nossas vidas envolveu, mas também ouve amor, carinho, compreensão, e tantas outras coisas.
 
   Foram seis longos anos de discussões de agora Amo-te depois odeio-te, agora quero-te agora não te quero...de agora levanta e depois cai e volta a levantar, foi sem duvido bom , muito bom, mau, muito mau, uma mistura de sentimentos, como o tempo ,agora faz sol mas há noite esta um frio de rachar, agora chove mas há tarde já Neva.
  O meu filho passado uns aninhos veio cá de ferias com a minha irmã numa altura em que eu estive muito doente e estive até internada, e em que a minha filhota também rachou a cabeça na brincadeira a correr de um lado para o outro. 
   Só que até o ser que mais Ama se farta de tanto tentar. A mudança adivinha-se...

                                                  Com isto já são três da manhã, amanhã escrevo mais umas linhas da minha curta metragem de vida, até lá beijinhos em vossos corações