O Daniel não sabia se me podia ir ou não buscar-me ao trabalho, tinha ido para fora nesse dia, e tinha levado com ele o tal amigo com quem não me dava muito bem.
A noticia que tinha para lhe dar não era noticia que se desse por telefone, o Daniel la conseguiu ir-me buscar como lhe havia pedido. Passei a tarde toda a pensar como que ia dar a noticia, afinal era a noticia que já esperávamos há tanto tempo, mas por outro lado também já tínhamos feito outros planos não sabia como ele iria reagir, mas como ele me tinha pedido tanto e como durante tanto tempo esperamos por esse rebento, que esperava que ele ficasse eufórico e até mesmo desse gritos de alegria, quando chegou ao pé de mim dei-lhe o teste para a mão, ele olhou para o teste e sorriu para mim e chamou-me palhaça , como as vezes me chamava, mas no bom sentido, trocamos um beijinho, mas não foi aquela alegria que esperava, depois mais tarde disse que estava chateado porque devia ter feito o teste com ele, depois fiz outro teste para ele não pensar que eu lhe estava a mentir, mas acho que já não era relevante.
No meu trabalho a minha patroa e a minha colega de trabalho estavam a tentar engravidar e por isso ela tinha me contratado, para o caso de uma das duas ficar gravida eu cobrir o lugar, logo para azar delas quem engravidou fui eu, e para meu azar ela despediu-me porque gravida não lhes servia para o propósito que me tinham contratado. Trabalhava mais esse fim de semana e ficava por ali.
O Daniel gostava de sair, de ir ao café beber um ou uns copos, eu já não ia com ele, pois já tinha medo, cada vez que saiamos os ciumes dele estragavam sempre a noite e por isso eu preferia ficar em casa, mesmo assim as vezes a noite acabava mal, e essa foi mais uma entre tantas outras.
Sábado foi o meu ultimo dia de trabalho, chegou o final do dia e a patroa pagou-me, cheguei a casa paguei a renda as compras e fiquei com pouco dinheiro na carteira, afinal só trabalhava dois dias por semana também não recebia muito, o Daniel como de habito saiu queria que fosse com ele, mas eu não fui, disse-me para ir com a irmã dele, mas eu disse que não ia, se fosse que ia a um restaurante café ali perto e vinha logo para casa. E foi isso que fiz, a irmã dele estava la com umas amigas que temos em comum, sentei-me na mesma mesa, mas a minha cabeça não estava ali e também não me estava a sentir confortável, afinal nessa altura não conhecia muito bem as pessoas e por isso passado pouco mais de meia hora fui embora, mas o Daniel costumava ir noutro café restaurante ali perto e resolvi la passar, espreitei há porta para ver se ele la estava, quando o vi reparei que já estava com os copos e não valia pena eu entrar, sabia que não ia correr bem, então fui dali para casa.
Quando cheguei a casa deitei-me, já de madrugada o Daniel chegou a casa muito bêbedo e com vontade de implicar comigo, puxou-me os lençóis, acordei assustada mas agarrei nos lençóis e voltei a me deitar, mas ele começou a dizer que não era o pai do meu bebé, e a discussão começou, começou a dar-me com os pés onde calhava na barriga, nas pernas, eu levantei-me e comecei a empurra-lo, ele encostou-me na parede, a irmã dele entrou no quarto, mas também não ajudou muito, os óculos dele caíram no chão e a haste partiu, eu fugi para a sala, o Daniel ainda andou há volta para ver se me apanhava, mas assim que pode vesti um casaco agarrei na minha carteira e telemóvel e fugi. Quando sai porta fora, não tinha destino, não conhecia ninguém que me pode-se ajudar, não tinha dinheiro para ligar a ninguém estava perdida no desconhecido. Uns metros mais há frente comecei a sentir falta de ar, pensei que seria de estar a chorar compulsivamente, e tentei acalmar-me...mas não resultou, estava muito frio, estava cada vez com mais dificuldade em respirar, nem tinha a uma bomba de asma comigo e estava a ter um ataque de asma no meio da rua, peguei no telemóvel e liguei para a ambulância, pediram-me para me acalmar porque não me conseguiam perceber, tentei me acalmar perguntaram-me o nome da rua onde estava, eu nem sabia o nome da rua, pediram-me para procurar o nome da rua em algum lado,quando dei o nome da rua, depressa chegaram ao pé de mim. Assim que entrei na ambulância puseram-me a oxigénio, demorou um pouco a estabilizar mas já era um alivio estar a respirar melhor, perguntaram-me imensas coisas entre elas se poderia estar gravida eu disse que estava gravida. Quando cheguei ao hospital já estavam os médicos há minha espera, ao fim de uns minutos o medico saiu com uma cara de preocupado e voltou com outra medica que também me examinou, saíram os dois sem me dizerem nada,voltaram fizeram-me perguntas e o que estava fazer na rua sozinha tão tarde, contei-lhes o que se passou, poucos minutos depois a policia estava no hospital, pediram para ter calma que já sabiam o que tinha acontecido, os médicos que tinham estado a me acompanhar voltaram e pediram para ter calma e que não tinham boa noticias para mim, por isso a policia estava ali...fiquei assustada eu só tinha entrado no hospital com falta de ar, doía me o corpo mas eu sabia o porque de me doer, nem me queixei, estava a ser um péssimo dia, parecia um pesadelo só queria acordar, os médicos, perguntaram-me se eu sentia o bebé, respondi que não pois ainda não sentia o bebé, mas os médicos disseram que estavam preocupados porque não ouviam os batimentos cardíacos do bebé e que aquela hora não tinham ecografia disponíveis que tinha de esperar para o dia seguinte para fazer uma e ver como estava o bebé para começar a preparar-me podia confirmar-se o pior... entrei numa angustia descontrolada, a policia disse que ia prender o Daniel por violência domestica porque o que ele tinha feito era crime, pedi-lhe para não o fazer pois a irmã dele tinha me dito que se algum dia chama-se la a policia a casa que me punha na rua, mas a policia disse para eu não me preocupar com isso, que eles tinham de fazer o trabalho deles, implorei para não o fazerem mas não me valeu de nada. A noite foi longa a espera pela ecografia estava-me a matar de angustia, só chorava perguntei a uma policia o que iria acontecer ao Daniel, disse-me que iria ser preso pelo menos ate ter noticias sobre o bebé, se eu tivesse perdido o bebé que iria ser presente a juiz para sentença pelo crime e que já não saia da cadeia, se o bebé estivesse bem ele saia da cadeia e ia esperar sentença cá fora se eu continua-se com a queixa.
A muito custo e já exausta adormeci, acordei com a medica a chamar-me para ir fazer o exame, quando vi o meu bebé naquele ecrã pela primeira vez só rezava para ouvir aquele coraçãozinho bater e o ver mexer, as lágrimas caiam-me cara abaixo como se fosse um rio, no meio de tantas desgraças o meu bebé estava bem, mas estava sossegadinho só se ouvia o coraçãozinho bater... de volta ao meu quarto o meu telemóvel tocou... era a mãe do Daniel chamou-me p--- que por minha causa o filho dela estava preso, nem perguntou pelo bebé, se estávamos bem, saiu logo em defesa do filho, saltou-me as palavras e disse-lhe que p--- era ela e para tomar atenção ao que estava a dizer porque quem tinha sido mal tratada tinha sido eu, como a senhora não se acalmava tive de desligar o telefone.
Como estava tudo bem tive alta do hospital, perguntaram se queria ligar a alguém, disse que não porque não conhecia ninguém, perguntaram se tinha para onde ir se tinha dinheiro etc..., disse que não que só tinha umas moedas, já não sai do hospital...
Já é tarde outro dia continuo mais um pouquinho esta parte é dolorosa e custa-me imenso relembrar foram tempos difíceis para mim mas vou continuar a partilhar convosco a minha angustia bjnhos em vosso coracoes
ate breve
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